Transmissão

O motor de uma motocicleta pode criar uma quantidade enorme de energia e esta deve ser entregue às rodas do veículo de uma forma controlada. Com esse propósito, surge o sistema de transmissão:

O sistema de transmissão de uma motocicleta é o elemento responsável pelo fornecimento de energia para a roda traseira e, consequentemente, coloca-la em movimento. Isso através de três estruturas específicas:

1. O jogo de engrenagens

O jogo de engrenagens permite a deslocação de uma determinada motocicleta a uma velocidade de cruzeiro. Independentemente do tipo de motocicleta, as transmissões têm, normalmente, entre quatro a seis marchas, embora as motocicletas pequenas possam ter apenas duas. As marchas são engatadas quando se desloca uma alavanca que move os garfos de mudança dentro do próprio sistema de transmissão (caixa de transmissão).

2. A embreagem

O trabalho da embraiagem consiste no engatar e desengatar as mudanças no motor. Sem a embraiagem não haveria maneira de conectar as mudanças e isso impediria a circulação de uma motocicleta. Quando o motociclista quer trocar uma marcha, ele deve utilizar sempre a embreagem para desconectar o motor da mudança que está em uso e esse procedimento permite-lhe introduzir a mudança pretendida. A embreagem é assim uma série de placas de mola que, quando pressionadas em conjunto, permitem a introdução da mudança mais adequada de acordo com a velocidade a que a moto transita.

3. Os sistemas de movimentação

Existem três maneiras básicas de transmitir a potência do motor para a roda traseira de uma motocicleta:

1° - O sistema de correntes

Estes são os sistemas de movimentação mais comuns. Neste sistema, um pinhão montado no eixo da transmissão é conectado a uma roda dentada (Coroa) que se encontra ligada à roda traseira da moto por uma corrente de metal. Quando a transmissão gira o pinhão, a potência é transmitida ao longo da corrente, o que faz girar a roda traseira através da (Coroa). Este tipo de sistema precisa de ser lubrificado e ajustado, pois a corrente estica e o pinhão/coroa exige uma revisão e substituição periódica.

2° - O sistema de correias

As correias são uma alternativa para as correntes de movimentação. As primeiras motos utilizavam correias de couro que poderiam ser pressionadas para dar tração. No entanto, patinavam com frequência no inverno e, por isso, deixaram de ser produzidas em favor de outro tipo de material. A partir dos anos 80, as correias passaram a ser feitas de borracha dentada e a sua eficácia é exatamente igual às correntes de metal, com a vantagem de não precisarem de qualquer tipo de lubrificação além de não serem ruidosas.

3° - O sistema de eixos

É um sistema muito apreciado porque não requer tanta manutenção como os sistemas de corrente. No entanto, as unidades do eixo são mais pesadas e, às vezes, causam um movimento indesejado na parte traseira da moto. É o chamado eixo de elevação que pode

provocar alguma instabilidade e insegurança na condução da motocicleta.

 

4 - Vantagens e desvantagens em cada tipo de transmissão das motocicletas

A potência e o torque do motor de uma motocicleta não valem de nada, não importando seus valores, se a transmissão final não fizer seu trabalho com perfeição. Responsável por transmitir a força gerada pelo propulsor à roda traseira, como seu nome já indica, e colocar a moto em movimento de maneira controlável, hoje existem três tipos de transmissão final nas motocicletas. A ligação entre o motor e a roda traseira pode ser feita por corrente, correia ou eixo cardã. Cada uma delas tem suas vantagens e desvantagens, servindo para propósitos diferentes. Tudo vai depender não só das preferências pessoais, como o tipo de uso. Qual seria sua escolha?

- Corrente

Com certeza, a mais comum de todas é a transmissão final feita por corrente, composta por duas engrenagens dentadas de metal e de uma corrente, que faz a ligação entre elas. Essas engrenagens, construídas em diversos tipos de metal (mais comuns aço e alumínio), se diferem na quantidade de dentes e em seu diâmetro. Na parte da frente, próximo ao pedal de câmbio, se o encontra o menor deles, chamado de pinhão. Seu trabalho é transmitir a rotação do motor para a corrente, que pode ser de elos comuns ou com retentor. A corrente, por sua vez, gira e move a engrenagem maior, na parte traseira, cuja força faz a roda traseira tracionar. Juntos, pinhão, corrente e coroa formam o chamado “kit de transmissão” ou “kit de relação”.

 

Não é por acaso que esse tipo de conjunto seja encontrado na maior parte das motocicletas do mercado. A simplicidade de produção, a facilidade de reposição e o baixo custo de manutenção as tornam muito populares. Além disso, a transmissão final por corrente é a mais eficiente e precisa entre as três na entrega da potência do motor à roda. Tanto que a maioria das motos de competição das modalidades mundiais utiliza este tipo de sistema. Especialistas dizem que a perda de potência é de somente 5 a 10% e por isso é a mais escolhida para motocicletas de alto desempenho.

Assim como há pontos positivos, existem também negativos. O primeiro deles é a necessidade de uma manutenção constante, já que para aumentar a vida útil e manter seu sistema em perfeitas condições o correto é, se o uso da motocicleta for diário, lubrificar a parte interna da corrente e regular a folga de acordo com o manual do proprietário pelo menos uma vez por semana. Mesmo seguindo as orientações, a vida útil do “kit” não é muito longa. Varia de 25.000 km a 35.000 km. Além disso, emite ruídos e por precisar ser lubrificada regularmente, se torna um sistema sujo.

 

PRÓS E CONTRAS - CORRENTE
+ Baixo custo de aquisição/manutenção
+ Facilidade na manutenção/reposição do conjunto
+Baixa perda de potência
- Baixa durabilidade
- Constante manutenção
- Emite ruídos
- Acúmulo de sujeira

- Correia dentada 

O sistema de transmissão final por correia é muito similar ao feito por corrente. A diferença é que troca-se o metal da coroa, pinhão e corrente, por polias e correia de material flexível. Regularmente fabricadas em borracha de alta resistência, as correias podem conter ainda em sua composição materiais como kevlar e fibra de carbono. Por isso a durabilidade do sistema é maior que o da corrente. As trocas podem acontecer somente com 100.000 km ou mais, sempre de acordo com manual do proprietário. 

No entanto, por serem construídas nesse tipo de material, sofrem com o aquecimento e perdem eficiência. Dessa forma, não são indicadas para motocicletas que atingem altas velocidades. Transmissão final feita por correia dentada é vista, normalmente, em motocicletas da categoria custom, como, por exemplo, nos modelos Harley-Davidson. É um sistema silencioso, que não necessita de lubrificação, e cuja manutenção consiste em limpeza periódica de excesso de sujeira. 

“A maior vantagem da correia sobre a corrente é o fato de não necessitar ajustes ou manutenção. No entanto, sofre com perda de potência (de 10% a 15%) e com o superaquecimento. Um sistema mais caro que o de corrente em caso de reposição, mas por outro lado tem uma vida útil mais longa. Normalmente, o proprietário só se lembra de seu sistema de transmissão quando foi necessário fazer a substituição.

PRÓS E CONTRAS CORREIA
+ Baixa manutenção
+ Leveza do sistema
+ Baixo índice de ruído
+ Alta durabilidade
- Custo de reposição
- Manutenção complicada (quando necessária)
- Esquenta em rotações superelevadas

- Eixo-cardã

A transmissão do tipo cardã foi herdada da tecnologia dos automóveis. Apesar de ter um princípio relativamente simples, o cardã torna-se um sistema complexo nas motocicletas devido a seu volume e peso. Como funciona? Um eixo parte da caixa de câmbio, recebendo a potência do motor, e vai até a roda traseira onde passa essa força para um par de engrenagens, que transmite o movimento para a roda. Por exigir mais do motor, é, entre os três, o sistema que há mais perda de potência, entre 15% a 20%. 


Por ser livre de manutenção, normalmente este tipo de sistema é encontrado em motos da categoria big trail e touring, projetadas para longas viagens, como por exemplo a Triumph Trophy SE e a BMW R 1200 GS. “Esse sistema é livre de manutenção. Na verdade, deve ser vistoriado somente em caso de falha e no período previsto no manual do proprietário da motocicleta. Às vezes, os eixos cardã ficam sem manutenção durante anos. Dentro do diferencial do cardã, há um óleo lubrificante que é trocado logo aos primeiros 1.000 km e, depois, só na data estipulada pelo manual do proprietário, que varia de acordo com a fabricante. No entanto, antes de tirar sua moto da garagem, vale a pena vistoriar seu sistema para garantir que não há nenhuma anomalia para não ficar na mão, no meio da estrada, com problemas em seu eixo cardã. A manutenção é difícil e deve ser feita por mecânicos especializados.

Em caso de pneu furado, o proprietário de motocicletas equipadas com cardã pode sofrer. A retirada da roda traseira é tarefa complicada. Não é em qualquer lugar que fará um trabalho correto. Nos piores casos, o mecânico mal informado pode estragar todo o sistema de sua motocicleta.

PRÓS E CONTRAS CARDÃ
+ Livre de manutenção
+ Sistema limpo
+ Baixo índice de ruído
+ Suavidade do sistema
+ Alta durabilidade
- Custo de reposição
- Manutenção complicada (quando necessária)
- Perda de potência
- Dificuldade para troca de pneu